Você é um Rato ou um Herói? E se eu te disse que você pode ser os dois?

Premissa interessante sim, hoje venho, humildemente, falar de um joguinho de tabuleiro (uma das minhas paixões) que poucos conhecem, mas vale demais a pena conferir: Mice and Mystics! Jogo que é distribuído aqui no Brasil pela Galápagos Jogos e que é produzido, originalmente, pela PlaidHat Games, e traz como temática exatamente isso: pequenos ratinhos se tornando heróis e buscando a salvação do reino onde habitam! O jogo é bem no estilo Tabletop RPG, dando a você a disponibilidade de escolher entre classes e equipamentos, bem como enfrentar inimigos, seguindo as histórias que vem nos módulos inclusos no jogo.

A história do jogo se passa em um reino muito distante, que é comandado pelo Rei Andon, um sábio e justa soberano. Andon tinha um filho, o príncipe Collin, um valoroso jovem e exímio espadachim. Contudo, a vida do Rei Andon era triste, pois, sua esposa falecera muitos anos antes, logo após dar a luz ao príncipe. Assim os dias passavam, decisões eram tomadas, e o reino caminhava cada dia mais para uma prosperidade aparentemente interminável. Contudo, a tristeza de Rei Andon era cada dia maior. Porém, em uma tarde de verão, chega uma viajando de terras distantes, trazendo consigo o mau presságio de tempestades e pássaros negros. Essa viajante era Vanestra, uma feiticeira maligna, comandante das terras de Dahrklend. Em uma rápida sucessão de acontecimentos, Andor apaixona-se por Vanestra, e adoece logo em seguida. Collin, percebendo o crescente problema, convoca uma reunião com os seus aliados mais próximos: Maginos, o mago, Nez Bellows, o faz-tudo e Tilda a curandeira. Contudo, a reunião é bruscamente interrompida pelos capangas de Vanestra, que jogam os quatro nos calabouços. Lá, eles encontram Filch, notório ladrão do reino, que diz que sabe como sair dali. Nesse meio tempo, Maginos arquiteta um plano, e com a ajuda de seu familiar, Meeps, consegue um madeixa do cabelo de Vanestra, que possui magia suficiente para uma última e desesperada jogada: transformar todos em ratos, para poderem escapar e salvar o reino. E assim, inicia-se a saga de Collin e seus companheiros.

Primeira cena do jogo montada! (E desculpem pela qualidade da foto!)

O enredo é ótimo, como vocês podem ver. Uma história que vem carregada de elementos fantásticos e coloca uma situação improvável, com uma sensação assustadora: a de ser pequenino frente um mundo gigante e feroz, Obviamente, a versão acima é resumida, sendo que a história é mais complexa (mas nossa função aqui não é estragar a diversão de todos com esses maléficos spoilers). Vários elementos do jogo ajudam a fazer você se sentir diminuto a toda instante, como os mapas, que geralmente remontam locais básicos do castelo, como a cozinha, o laboratório de Maginos, a cela da prisão onde os jogadores se encontram, bem como os inimigos, que variam entre um grande gato, que age como se fosse o “dragão” da história e os demais inimigos, sendo eles, aranhas, baratas, uma centopeia, os soldados que Vanestra também transformou em ratos para perseguir nossos heróis, enfim, o ambiente se adapta, mas sem fazer você perde a sensação de ainda estar deslocado naquela imensidão.

Ok, muito legal a historinha, Carlos. Mas e o sistema de jogo? Pancadaria para todos os lados?

Sim e não. Tanto a temática de combate, quanto a temática de interação fora do combate estão ali. Os capítulos, que podem ser jogados seguidamente, ou de maneira isolada, são divididos por páginas. Eles começam em determinada página e se chegam ao “fim” sem que os personagens tenham completado sua missão, resulta na derrota dos jogadores. Essas páginas vão passando de acordo com o marcador de relógio, que é preenchido por fatias de queijo afinal o jogo tem ratos como heróis e quando chega um circulo completo, muda para a próxima página. Isso pode acontecer de várias maneiras, seja com as rolagens inimigas onde o ícone de queijo (here we go again) apareçam nos dados, seja através de ações dos jogadores, como procurar itens no cenários, ou até pela mera passagem de turnos durante o combate.

A mecânica de combate envolve o rolamento de dados, onde possuímos quatro símbolos: uma espada, simbolizando ataque, um escudo, simbolizando defesa, espada mais escudo, simbolizando ataque ou defesa, dependendo da situação e o pedaço de queijo, que para os heróis significa ganhar pontos para usar habilidade ou aumentar de nível, e para os inimigos, completar o circulo e fazer avançar a página. A colocação dos inimigos também é importante, pois não há um jogador que será o “mestre”. Um jogador, que também controla um personagem, controlará as peças, respeitando regras preestabelecidas para o locamento de inimigos na área. Em alguma variações, ao invés de ser apenas um jogador que controla essas peças inimigas, poderá ser deixada por turno também, permitindo que todos os jogadores controlem os exércitos de Vanestra.

Hum, mas parece tão complicado!

Mas não é. Como todo jogo de tabuleiro elaborado, Mice and Mystics tem uma carga de complexidade, mas nada que não possa ser resolvido com uma boa leitura e um debate entre todos que estão jogando. O sistema de itens é simples, bem como o de equipamentos, o que torna o jogo bem intuitivo em alguns pontos e com uma aprendizagem bem rápida até. Talvez o único contra real sobre esse jogo é quando ao número de jogadores que, mesmo com a contagem atual de personagens jogáveis, que são seis, o jogo se mantém como sendo de um até quatro jogadores o que não faria muito sentido, já que as histórias são adaptadas a quantidade de personagens em jogo.

E você achando que ratos nunca poderiam ser tão legais, né!? (Então você não viu Biker Mice from Mars)

O veredito é meio óbvio até: Joguem! Joguem muito, de preferência! O jogo é bonito, muito bem produzido (Galápagos sempre de parabéns na produção e tradução), com miniaturas chamativas afinal, quem não ama miniaturas e um tabuleiro muito bonito também, que pode ser utilizado dos dois lados se necessário, de acordo com a aventura que está sendo jogada. Eu garanto que nada melhor do que pegar sua espada, cajado, maça, enfim, sua arma de escolha, botar sua armadura, seu manto ou sua capa e sair pronto para salvar um reino de uma feiticeira maligna e impiedosa! Ah, o bom e velho RPG…

E agora, vocês estão pronto para responder a pergunta do início, sabendo que, um Rato pode ser o maior herói que um homem jamais vai ser!

See ya!