E eu na Steam, cuidando da minha vidinha pacífica, vejo aquele anúncio de Mobius Final Fantasy e penso comigo mesmo…

“De graça até injeção na testa, né?”

Pois então, fui lá, e baixei. Para quem manja (na boa, posso tornar essa frase uma trademark?) Mobius Final Fantasy é um port do game de Android com o mesmo nome para a plataforma de jogos de PC. Ele é de graça, tal qual é na Google Play/App Store. E sim, o in-game purchase é frequente demais no jogo, o que torna isso muito irritante.

E vamos colocar isso em evidência desde já: o in-game purchase é a cosia mais insuportável do planeta terra.

Falo isso com a seguinte lógica: quando você joga qualquer jogo, você já sabe que a progressão será algo complicado. Quando seu personagem está lá, humilde, com poucas habilidades, poucos atributos, enfim um verdadeiro fracote miserável iniciante. Ué, então por isso, vamos treinar, aumentar nosso poder e começar a encarar de frente os inimigos mais difíceis de frente, sem problemas! Mas agora, pense que, ao invés de lutar, treinar, fazer estratégias, usar gameshark aprender a jogar e afins, você pode simplesmente comprar as armas e habilidades mais fortes, bem do jeito que o capitalismo curte. E não é somente isso, não bastante esse atalho blasfemo, ainda temos o fato de que, dependendo de como for, por mais que você lute, treine, e “farme”, você não chegará em um nível grande o bastante para continuar o jogo , ou se chegar, vai sofrer tanto, mas tanto, que vai desistir antes de pensar me uma solução nova.

Mas ok, voltando para Final Fantasy. Foi difícil a coisa. Tá certo, é um Final Fantasy e isso por si só já trás um peso enorme para o jogo, mas também é um port de um jogo feito para plataformas móveis. O misto entre gráficos que acabaram por ser potencializados graças a capacidade gráfica dos consoles, juntamente com uma metodologia de jogo que é típica dos celulares/tablets, fez uma experiência extremamente estranha, mas bonita aos olhos. Por ser um jogo on rails, que mistura elementos de card games e RPG, bem como a jogabilidade ser livre, ou seja, não há botões, você movimenta todos os aspectos da interface usando o mouse tal qual fosse seu dedo na tela do aparelho. Inclusive, isso é aplicado aos controles: a “compatibilidade total com controle” alardeada nos aspectos do jogo, na verdade, é uma emulação da movimentação do ponteiro do mouse pelo controle utilizado. Ou seja, porquice pleonasmo.

“Ae mano, ouvi dizer que cê é mó conhecidaço. Ajuda os irmão do smartphone a divulgar o trabalho?”

O quesito visual é divertido ao ponto que ele é bem polido, e os personagens também seguem muito do design das sagas novas, digamos do XIII para frente (também né, com quase toda uma equipe formada por membros de times criadores de outros jogos da série, é o mínimo que poderia se esperar). A interface é bem poluída, entre orbes voando, inimigos sendo atacados, um barra lateral que fica se mexendo todo instante a medida que você vai completando outra barra para ativar suas habilidades. Mas tenho que admitir, eu gostei um pouco dessa poluição. “Mas como assim Carlos!? Poluição visual é a inimiga nº 1 da experiência de jogo!”. Mas então, não nesse caso! Como eu disse, a sistemática do jogo é bem on rails, o que torna a experiência mais simplificada. Assim, com uma interface um pouco mais poluída, com elementos que nos treinem a ter uma visão multifocal, bem como exija um pouquinho de velocidade de raciocínio acaba salvando o jogo de ser um port completamente monótono para um passatempo que apresentar desafio e uma boa dose de satisfação.

Mas acho que a parte que vem tocar bem nos sentimentos é quanto ao enredo. Muito focado nos momentos pré Final Fantasy (aquele que é o primeiro aqui do ocidente, mais é o três no oriente, vai entender né?).  Personagens como Garland e a classe mais querida/mal-entendida/what fuck do jogo, o Onion Knight, aparecem como referências dentro das linhas do jogo. O conceito de magia através das orbes, no caso, para os fãs de longa data, as conhecidas materias, também caiu como uma referência no enredo, tendo em vista que essas energias materializadas representam o quão forte e palpável é a magia dentro do universo de Final Fantasy. Ainda temos a referências aos Warriors of Light, que é o grupinho que se forma para enfrentar o mal, ou seja, o Chaos, que foi frequente nos jogos até o Final Fantasy V, sendo que do VI adiante apenas se tem referências dos mesmos, sem serem diretamente um grupo de personagens. Princesa Sarah, a personagem que é salva pelos Warriors of Light “originais” também está no jogo, como a nova meta do personagem. E obviamente, não vamos esquecer do Mog! Os Moogles são a referência máxima no universo de Final Fantasy, estando presente em todos os jogos, seja como suporte, personagens interativos ou até invocações. É um prato cheio de referências, então, os fãs vão ter service pra car****!

Ok galera. Parou. Tudo tem limite.

No geral, não é o pior jogo que podemos encontrar pela Steam. De longe que não. Digo que, se fosse pago, ele não valeria nem a promoção a não ser que fosse de 90%, aí a gente pensava. O gráfico é bom, o estilo do jogo é divertido, a interface é irritante, mas tem seu charme, o tutorial é infinito e desconfortavelmente necessário. O jogo vale a pena, ainda mais pelo tamanho de que ocupa em disco, pois, mesmo sendo 167mb do aplicativo, mais os 3 gb de atualizações que são baixadas após, e você TEM que estar online e TEM que deixar o jogo aberto, tal qual um aplicativo de celular, ainda é menos que muitos bons jogos. Enfim, apesar da relação de itens conflitantes, é de graça gente! E por isso vale a experiência.

Então, se você tinha alguma dúvida se vai baixar, ou não, Mobius Final Fantasy, baixe! Afinal você só vai gastar dinheiro se acreditar na máxima que “tempo é dinheiro”, já que o máximo que você vai gastar é tempo mesmo.

See ya, everybody!