Bem, a moral aqui está em começar pelo bom e velho começo. Antes de falar do jogo que está para ser lançado na Steam, em um clássico estilo Beat em’ Up, vamos começar pela questão mais primordial para alguns no instante: Mas o que diabos é Holy Avenger, Carlos?

Então, meus caros e minha caras, para vocês que não sabem, Holy Avenger é uma história em quadrinhos brasileira, criada por Marcelo Cassaro, J.M. Trevisam e Rogério Saladino, o lendário trio criador de Tormenta, o cenário de RPG de mesa brasileiro que ficou internacionalmente conhecido, e com ilustrações da linda e poderosa Erica Awano (que também esteve envolvida na arte de DBride, outro quadrinho que espero escrever sobre logo, logo), e trata da saga épica de Lisandra, uma druida, junto com seus amigos Niele, a ela louca e maga, Tork, o troglodita “pai” de Lisandra, e Sandro, o filho (incompetente) do lendário ladrão Galtran, para reviver o lendário herói de Arton, o Paladino. A história passa, reviravoltas acontecem, personagem aparecem e somem, enfim, vocês juram que vou dar spolier né? Vão ler! Mas fiquem certos que a diversão vai ser constante do início ao fim da saga, seja com o quanto o Sandro é miserável, ou com a insanidade constante de Niele ou até o jeito ranzinza, porém hilariamente paternal de Tork com Lisandra.

A telinha de início tá bonitinha, vai dizer!

Mas vamos voltar ao foco principal, o jogo! O game vai ser lançado pela Messier Games, estúdio de produção de jogos eletrônicos brasileiro, que tem como outro trabalho o jogo Kriaturaz, um RPG para mobiles e PC que é focado na cultura brasileira e em suas criaturas mitológicas. Holy Avenger ainda está na fase de teste, apesar de uma grande atualização ter sido lançado no dia 09 de fevereiro, mas isso não o livra de algumas observações chatas.

E quando digo chatas, quero dizer que a coisa está preocupante…

Eu sinceramente vi potencial no jogo, ainda mais que o cenário de Tormenta é MUITO divertido. É um mundo com boas referências, personagens cativantes, vilões marcantes, um panteão interessante, com deuses muito próprios. Está tudo ali para fazer um roteiro com uma pegada interessante para um bom game brasileiro. Inclusive, a decisão de fazer um hack and slash foi acertado, por quê não teria outro estilo que se encaixasse tão bem a proposta. Os combos dos personagens são divertidos, assim como o design e o gráfico em cel shading e as habilidade individuais de cada um.

Mas está tudo bem longe de ser só rosas, na verdade tá mais pra um roseira daquelas bem espinhosa. Mesmo para um alpha, não há uma linha de história. Sim, por mais contraditório que pareça, não há uma história contada de um jeito coeso. Ocorre a primeira cutscene, daí vem a segunda, terceira…E nada, nenhuma fala, nenhuma palavra. Desde a primeira cena até as últimas do jogo teste, é somente um jogo de pancadaria cru, com alguns combos, sem habilidade e uma boa exibição de cenário. Sinceramente, não há uma pista de qual o objetivo final da Messier com o projeto. A história vai ser completa? Terá dublagem no jogo? Eles vão se basear mais nos quadrinhos, ou, como aparenta, farão uma adaptação com uma boa e velha dose de licença poética?

“E aqui nós vemos a estátua de uma deusa traíra e ambiciosa que está presa em uma estátua. A loja de souvenirs é logo ali”

A dose de dúvidas é até bem absurda…

Mas não há motivos para não apoiar e comprar o jogo. Pelo contrário. A ideia é boa, o cenário tem força para dar origem a um bom game, é um trabalho nacional, de uma empresa que está buscando seu espaço dentro da indústria dos games e aparenta ter frente para fazer um bom trabalho. Como falei antes, me intriga saber o que farão sobre essa série de detalhes quanto a apresentação, aos detalhes, enfim, em relação as arestas que ainda estão por serem aparadas. Gostaria de ver, por exemplo, a Niele falando o nome das magias que existem dentro do cenário (procurem por Manual da Magia de Arton, lá diz o nome e já traz as regras para usá-las em sua mesa de RPG), ou os Rubis da Virtude que, sim, não aparecem nenhuma vez durante esse teste inicial, e eles só são um dos motivadores das aventuras de Lisandra e amigos.

No final das contas, o que você deve esperar do jogo de Holy Avenger? Você deve esperar algo com potencial, mas não agora. Olhe o jogo que você vai jogar, que é aquele que existe atualmente na Steam, e o que pode vir a se tornar o jogo no futuro, com seu lançamento definitivo, como duas fases diferentes de um mesmo panorama. Agora, Holy Avenger não passa de nada além de um projeto de graduação, mas no futuro, muito esperançosamente, ele vai se tornar um jogo em si, com tudo que um bom game tem para ser exatamente isso: um bom game. Então, peguem seus mantimentos, afiem suas espadas, deixem seus cajados e escudos bem polidos, e caia de cabeça em Holy Avenger, ainda mais se um dia você jogou The Dark Tower ou Shadows Over Mystara, com a promessa que a coisa só fica melhor!